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Blog do BOSCO

Prática, concisa é a resenha diária de Bosco Martins.
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FACEBOOK EXCLUI  LIVE DE BOLSONARO POR MENTIRAS

MS, 25 de outubro de 2021

O Facebook excluiu  de seu aplicativo e do Instagram, a íntegra da tradicional live presidencial da semana passada. Inacreditavelmente, sem qualquer indício neste sentido que seja, Jair Bolsonaro fez uma associação falsa entre a vacina contra a covid-19 e a Aids. Com um papel impresso na mão, afirmou que “relatório oficial do Reino Unido” apontava que os “totalmente imunizados” desenvolviam Aids “muito mais rápido do que o previsto”. Bolsonaro teve um vídeo bloqueado em março por defender a cloroquina, mas foi a primeira vez que o arquivo com sua live foi tirado do ar.

Aliás… Cá vale uma nota do editor. Mentira escancarada neste nível mesmo Bolsonaro costuma evitar. Mas faz parte de sua cartilha de métodos criar confusões do nada para distrair do noticiário real. Casos, por exemplo, do estouro do teto de gastos e do relatório da CPI que o acusa de crimes contra a humanidade.

A associação descabida entre vacina e Aids causou revolta entre cientistas e políticos. A Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI) desmentiu a alegação e repudiou a circulação de notícias falsas sobre a covid-19 e a Aids.

CPI Final

Com votação prevista para amanhã, o relatório da CPI da Pandemia recebeu no fim de semana um adendo do senador Eduardo Braga (MDB-AM) tratando da crise do oxigênio no Amazonas. Aliado do relator Renan Calheiros (MDB-AL), Braga pede o indiciamento do governador Wilson Lima (PSC) e do ex-secretário estadual de Saúde Marcellus Campêlo por crimes como prevaricação e epidemia resultando em morte

Auxílio Brasil

Para emplacar o Auxílio Brasil de R$ 400 e o consequente estouro do teto de gastos, Jair Bolsonaro obteve a anuência do ministro da Economia, Paulo Guedes, tido como o liberal mais ortodoxo a ocupar o cargo. Como uma indicação de que o ministro não será um entrave às iniciativas do governo, Bolsonaro afirmou ontem que ele e Guedes vão “sair juntos” e “bem lá na frente”. O estouro do teto custou a saída de quatro integrantes do Ministério da Economia e uma reação forte do mercado financeiro, mas Guedes mostrou mais uma vez alinhamento com Bolsonaro e cobrou do Congresso aprovações de reformas que, segundo ele, viabilizariam o auxílio de R$ 400.

Mas, em que pese o discurso alinhado e os afagos, a situação do ministro foi instável nos últimos dias da semana. Como revelou Valdo Cruz, dois representantes de Bolsonaro estiveram em São Paulo sondando possíveis substitutos para Guedes. Havia o temor de que ele se demitisse diante do ataque à política fiscal, mas isso não aconteceu, e o ministro incorporou o discurso da necessidade de elevar o Auxílio Brasil. Com isso, Bolsonaro foi na tarde de sexta-feira ao Ministério da Economia sacramentar a rendição, dizendo ter “confiança absoluta” em Guedes, que, por sua vez, negou ter pedido demissão, como circulou em Brasília.

Mas o estrago no mercado já estava feito. O drible no teto de gastos mexeu com o Ibovespa, o principal índice do mercado de ações brasileiro, que encerrou a semana com o pior fechamento do ano e acumulou um tombo de 7,28%, a pior queda no período, voltando ao patamar de novembro do ano passado. No fim do pregão, o índice terminou a sessão em queda de -1,34%, aos 106.296 pontos. O dólar chegou a bater os R$ 5,72, mas fechou com queda de -0,70%, cotado a R$ 5,63.

Com a quebra do teto, os remanescentes da área técnica do Ministério da Economia veem fragilidade fiscal e temem novos avanços da ala política do governo para viabilizar projetos de potencial eleitoral.

Aliás… Embora seja feito com o objetivo de reeleger Bolsonaro, o desmonte do teto para o Auxílio Brasil vai deixar uma bomba-relógio para explodir no colo do presidente que assumir em janeiro de 2023, dizem especialistas.

Míriam Leitão: “A confusão feita pelo governo nos últimos dias vai impactar o país por muitos anos. Os juros vão subir mais para compensar a incerteza da política fiscal. O país crescerá pouco no ano que vem e os economistas já falam em estagflação. Enquanto isso o mundo estará crescendo forte. Foi uma semana de mentiras, desrespeito às leis fiscais e muita demagogia para tentar desviar a atenção do fato de que o presidente Jair Bolsonaro foi acusado de cometer nove crimes, entre eles o crime contra a humanidade.”

OUTRA VIA

Desiludidos com Bolsonaro e aferrados ao antipetismo, generais da ativa e da reserva defendem agora a consolidação de uma candidatura de terceira via. Eles temem que o Brasil repita o cenário da Argentina, onde, na visão da caserna, direita e esquerda se revezam desfazendo o que foi feito pelo governo anterior. O problema é combinar com os políticos. Com a provável entrada do ex-ministro Sérgio Moro e do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM quase PSD-MG), já são 11 “terceiras vias” na disputa.

CULTURA

A família da diretora de fotografia Halyna Hutchins não culpa o ator Alec Baldwin pela morte dela, segundo disse o pai de Halyna, Anatoly Androsovych. Na quinta-feira, durante as filmagens do western Rust, Baldwin disparou uma arma que deveria ter balas de festim, mas estava com munição de verdade. O único tiro matou Halyna e feriu o diretor Joel Souza. Segundo a revista People, Baldwin, de 63 anos, ficou “histérico e inconsolável” após o acidente. Uma das suspeitas é que a arma tenha sido usada por técnicos da equipe para tiro ao alvo antes das filmagens. Ex-integrantes da produção denunciaram descaso com o manuseio das armas no set.

 Marighella

“Eu pensava: ‘O que eu estou fazendo aqui trancado nesse país que não é meu?’”, desabafa Wagner Moura sobre o que foi enfrentar a pandemia com a família em Los Angeles, onde mora desde 2018. O ator e diretor voltou ao Brasil para, finalmente, lançar seu longa Marighella (trailer no YouTube), estrelado por Seu Jorge. O filme deveria ter saído em 2019, mas ficou empacado em burocracias da Ancine e depois na pandemia. Moura comenta, revoltado, acusações em redes sociais de “mamar na Lei Rouanet”. “É uma produção feita com o fundo setorial e dinheiro da Globo Filmes. Não recebi um tostão por esse trabalho. Pelo contrário. Só gastei”, afirma.

Mercado

“Crise? Que crise?”, pergunta o mercado internacional de artes. No último sábado, leilão organizado pela Sotheby’s em Las Vegas levantou US$ 108,87 milhões (R$ 621 milhões) com a venda de 11 obras de Pablo Picasso. O destaque foi Femme au béret rouge-orange, um dos últimos retratos que o pintor espanhol fez da musa Marie-Thérèse Walter, arrematado por US$ 40,479 milhões (R$ 231 milhões).

COTIDIANO DIGITAL

Então… Uma nova série de documentos vazados do Facebook apontam evidências de que a companhia de Mark Zuckerberg põe o lucro acima da moderação de conteúdo problemático. As informações foram obtidas pelo jornal americano Washington Post por meio de um novo denunciante contra a rede social. Na reportagem publicada ontem, o jornal mostra que o Facebook não investiu em protocolos de segurança no maior mercado da empresa, a Índia, aumentando os discurso de ódio e a violência.

“The Facebook Papers”

O Washington Post faz parte do “The Facebook Papers”, um consórcio formado por 17 veículos jornalísticos dos EUA que começou a publicar detalhes de documentos vazados do Facebook. As primeiras revelações vieram à tona com uma série de reportagens do Wall Street Journal a partir dos arquivos de Frances Haugen, uma ex-funcionária da companhia. Veja o que se sabe até agora.

E no meio de toda a polêmica envolvendo o Facebook, a rede social lançou a “novi”, sua carteira digital para criptomoedas

Fonte Canal Meio e Blog do Bosco 

BRASILEIROS PERDIDOS PARA A COVID CHEGAM A UM QUARTO DE MILHÃO

Já estava previsto, mas não é menos aterrorizante. O Brasil atingiu nesta quarta-feira a marca de 250 mil mortos pela Covid-19, mantendo-se atrás apenas dos EUA em número de vítimas fatais, embora seja o terceiro em casos — a Índia é o segundo. Ontem foram registradas 1.433 mortes, totalizando 250.079 vítimas. A doença está retrocedendo em vários países, informa Jamil Chade com dados da OMS, mas aqui ocorre o contrário. A taxa de transmissão no Brasil, apurada pelo Imperial College de Londres, voltou a subir e está em 1,05 – significa que 100 infectados transmitem o vírus para 105 novos portadores. Acima de 1, a taxa indica que a doença está fora de controle. Isso é o Brasil. (UOL)

Miguel Nicolelis, cientista: “Neste momento, o Brasil é o maior laboratório a céu aberto onde se pode observar a dinâmica natural do coronavírus sem qualquer medida eficaz de contenção. Todo o mundo vai testemunhar a devastação épica que o SARS-CoV-2 pode causar quando nada é feito de verdade para contê-lo.” (Twitter)

Embora seja comandado por um general apresentado como especialista em logística, o Ministério da Saúde se enrolou com a Região Norte. Mandou para o Amazonas as duas mil doses de vacinas destinadas ao Amapá, que recebeu as 78 mil doses do Amazonas. A pasta diz que a situação será corrigida. E a crise amazonense só faz crescer. Nos 54 dias de 2021, a Covid-19 matou 5.228 pessoas no estado, mais que os 5.285 mortos registrados entre março e dezembro do ano passado. (G1)

A calamidade causada pela doença vai de um extremo ao outro do país. Depois do Amazonas, o Rio Grande do Sul vê sua rede pública à beira do colapso, com 96% dos leitos de UTI ocupados em Porto Alegre. A média móvel de mortes também registrou um aumento de 53% em relação há duas semanas, indicativo de alta nos óbitos. Pior, segundo especialistas, o número ainda não reflete as aglomerações clandestinas no carnaval. (Globo)

Em São Paulo, o governo determinou um “toque de restrição” a partir de amanhã, entre 23h e 5h para conter aglomerações. Em entrevista coletiva, o próprio governador João Doria (PSDB) teve dificuldade em explicar como o sistema funciona. (Folha)

O Senado aprovou projeto de lei permitindo que o governo assuma os riscos decorrentes da aplicação de vacinas, o principal entrave à compra de imunizantes da Janssen e da Pfizer (que já tem registro definitivo da Anvisa). O texto prevê ainda que a iniciativa privada compre vacinas, mas algumas várias condições: enquanto houver vacinação de grupos prioritários, 100% do que empresas importarem deverá ser doado ao SUS; depois, esse percentual cai para 50%, e o restante terá de ser aplicado gratuitamente, por exemplo, na imunização de funcionários. O projeto deve ser votado ainda esta semana na Câmara. (Globo)

Só que… O presidente Jair Bolsonaro, crítico dos termos exigidos pela Pfizer, acenou com a possibilidade de vetar o projeto aprovado pelo Senado. (UOL)

O Ministério da Saúde recebeu na terça-feira 3,2 milhões de novas doses de vacinas – dois milhões da Oxford AstraZeneca e 1,2 milhão de doses da CoronaVac. Elas devem começar a ser distribuídas ainda hoje. (G1)

TECH NO PRÓXIMO NÍVEL

Depois de anos em desenvolvimento, a pandemia não só acelerou, mas trouxe de vez a automação nas fábricas, nos armazéns e nas áreas administrativas. Até o fim do ano, a base instalada de robôs de fábricas em todo o mundo superará 3,2 milhões de unidades, o dobro do patamar de 2015. Segundo as previsões, o mercado global de robótica industrial crescerá de US$ 45 bilhões em 2020, para US$ 73 bilhões em 2025. Não é à toa que a General Motors lançou este ano uma nova divisão de logística de vans para entrega de mercadoria e paletes elétricos autônomos para serem usados em armazéns. Hoje, os avanços na tecnologia e modelos de negócios permitem que não só as grandes, mas também as menores empresas desfrutem dos benefícios da automação. (Folha)

Pois é… O Brasil lidera o parque de robôs industriais da América do Sul. Tem mais de 15,3 mil robôs em operação. Na América Latina, só perde para o México, que está perto do mercado americano. A robotização brasileira está longe da adotada nos países desenvolvidos. Enquanto tem de 12 a 13 robôs a cada 10 mil trabalhadores, os EUA têm 1,3 mil, China 938, Japão 1,2 mil e Coreia 2,7 mil. (Valor)

 

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