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ECONOMIA
Terça-feira, 03 de Agosto de 2021, 17h:03

Criptomoedas

Bitcoin verde: os grandes lucros da mineração limpa de criptomoedas

Forbes

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Bill Spence e Greg Beard enxergaram nos rejeitos de carvão uma oportunidade de minerar bitcoins

No início dos anos 1970, durante sua infância numa área rural da Pensilvânia, nos Estados Unidos, Bill Spence brincava com amigos entre resíduos de carvão, sem se preocupar com os metais pesados e tóxicos sob seus pés. Depois de trabalhar como engenheiro da indústria de petróleo, ele voltou para sua cidade natal na década de 1990 e encontrou os mesmos resíduos presentes na paisagem.

Estes resíduos podem liberar substâncias cancerígenas mortais para as águas subterrâneas, ou pior, que pegar fogo e poluir o ar. Das 772 barragens de resíduos de carvão da Pensilvânia, 38 estão ativas.

Pensando nisso, Spence, atualmente com 63 anos, iniciou uma missão para acabar com os resíduos, restaurar a terra e ganhar dinheiro. Em 2017, ele comprou o controle de uma usina na cidade vizinha, especialmente projetada para queimar resíduos de carvão.

Mas como combustível, o material deixava a desejar, limitando assim a viabilidade do projeto. Mais tarde naquele ano, Spence se afastou do negócio após ser diagnosticado com insuficiência no pâncreas e câncer de rim. O engenheiro especula se o seu estado de saúde é resultado da exposição precoce aos rejeitos de carvão.

Entediado, ele começou a investir em criptomoedas até que teve um momento eureca: ele poderia utilizar a planta recém adquirida para transformar rejeitos de carvão em bitcoin.

Após passar por uma cirurgia, Spence agora está de volta, convertendo os detritos da indústria pesada do século 20 no ouro digital do século 21. Cerca de 80% da produção de 85.000 quilowatts da planta é utilizada para rodar computadores poderosos e ávidos por energia. Eles validam transações de bitcoin e competem com máquinas em todo o mundo para resolver desafios criptográficos e ganhar novas moedas – um processo conhecido como mineração.

Dependendo do preço do bitcoin, que recentemente tem girado em torno de US$ 35 mil no exterior, a planta consegue cerca de US$ 0,20 ou mais por quilowatt-hora (kwh) na mineração, contra apenas US$ 0,03 se vendidos para a rede elétrica.

Além disso, como a usina está descartando os resíduos com segurança, ela coleta créditos fiscais de energia renovável da Pensilvânia, que atualmente custam cerca de US$ 0,02 por kwh, os mesmos disponíveis para energia hidrelétrica.

Spence faz parte de um grupo emergente de mineradores de bitcoin norte-americanos, que estão transformando um dos maiores passivos da criptomoeda – sua sede insaciável por energia – em um ativo.

Quer estejam se livrando de rejeitos, ajudando a equilibrar a rede elétrica no Texas ou aproveitando as chamas em campos de petróleo e gás, esses empreendedores da criptoenergia estão lucrando ao transformar limões digitais em limonada verde.

Com países como China, Indonésia e Irã lutando para restringir severamente ou banir a mineração de bitcoin, a oportunidade para os mineradores norte-americanos nunca pareceu tão grande.

No mundo, os EUA saíram de apenas 4% de participação na mineração de bitcoin há dois anos, para tomar o posto de segundo país na atividade, respondendo agora por 17% de todos os novos bitcoins em mercado, de acordo com o Centro de Finanças Alternativas da Universidade de Cambridge.

Apesar de todos os possíveis benefícios do bitcoin para as finanças, também está claro que a moeda digital é um desastre ambiental. Dependendo do custo do bitcoin (um preço mais alto atrai mais mineradores), sua rede global demanda entre 8 gigawatts e 15 gigawatts de energia contínua, ainda segundo Cambridge.

Para comparação, a cidade de Nova York funciona com apenas 6 gigawatts e toda a Bélgica com apenas 10 gigawatts. A quantidade exata de carbono liberada na atmosfera pela mineração de bitcoin depende inteiramente de qual fonte de energia é usada.

É especialmente frustrante que a alta demanda por energia não seja um erro cometido na criação do bitcoin, mas sim um recurso pensado estrategicamente. Enquanto uma pequena parte de eletricidade é usada para validar transações, uma outra muito maior é desperdiçada na resolução de problemas matemáticos inúteis. A “prova de trabalho” – processo de resolução dos problemas matemáticos – é simplesmente uma forma de criar escassez artificial, tornando muito caro para qualquer grupo monopolizar ou manipular o mercado.

Em um comentário de 2010, Satoshi Nakamoto, o pseudônimo criador do bitcoin, não se desculpou: “É a mesma situação que o ouro e a mineração de ouro. O custo marginal da mineração de ouro tende a ficar próximo ao preço do ouro. A mineração de ouro é um desperdício, mas esse desperdício é muito menor do que a utilidade de ter ouro disponível como meio de troca. Acho que o caso será o mesmo para o bitcoin. A utilidade das trocas possibilitadas pelo bitcoin excederá em muito o custo da eletricidade usada.”

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